Família, memória e morte nas inscrições sepulcrais de Mediolanum (I-II d.C.)

Luciane Munhoz de Omena, Margarida Maria de Carvalho

Resumo


Ao levar em consideração os estudos contemporâneos sobre as atitudes diante da morte e dos mortos, analisaremos, dada à relevância documental, temática e histórica, alguns epitáfios femininos presentes na região de Mediolanum, atual cidade de Milão. Sabemos que, embora não tenhamos vestígios de necrópoles, tal como em Isola Sacra, os testemunhos mortuários presentes no Civico Museo Archeologico di Milano apresentam uma vasta gama de estelas em pedras, lastras de monumentos funerários com guirlandas em pedra, altares e urnas funerárias em mármores, evidenciando a riqueza de uma região conhecida, à época de 49 a.C., como municipium ciuium romanorum. Sob esse aspecto, torna-se relevante analisar, por exemplo, uma elegante estela, datada entre os anos finais do século II d. C., como um raro testemunho de uma mulher que, sem dúvida, com uma forte personalidade, comissiona o monumento funerário aos seus familiares. A partir daí, compreendemos que os epitáfios imortalizavam os falecidos bem como estimulavam a pietas de seus familiares. Logo, ao fazer referência à epigrafia sepulcral, realçamos as conexões e as simbologias entre palavras escritas e faladas, pois, assim concebida, a repetição ritual evocava a memória do falecido.

Palavras-chave


Família; morte; memória; inscrições sepulcrais.

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